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sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pro Dia Nascer Feliz

Antes que me esqueça e pra terminar a epopéia da 2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto devo prestar homenagens a um grande diretor que com apenas dois longas no currículo se transforma pra mim num referêncial de documentarista brasuca. Falo de João Jardim que dirigiu junto com o não menos competente Walter Carvalho o maravilhoso Janela da Alma que traz à luz o olhar. As diversas formas de olhar. Um filme imperdível.

Contudo quero falar de outro filme que vi na segunda-feira, 18 na Mostra. Trata-se de Pro Dia Nascer Feliz. Documentário sobre os contrastes da educação no Brasil que vai além das questões educacionais e sociais. O filme descortina poeticamente o Brasil passando por Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo pra mostrar sem maquiagem a vida de brasileiros que querem saber mais.


Algumas passagens são maravilhosas como a da pequena poetisa de Pernambuco. Outras chocantantes como a cofissão de assassinato de uma menor dentro de sua escola.

Fica bem claro nesse filme os fatores que determinam o sucesso de um estudante: a base familiar, a estrutura e capacitação das escolas e o desejo do aluno de se superar.

Com fotografia bem afinada de Gustavo Hadba e ediçao desconstruida do próprio Jardim o filme nos fere fundo na carne de forma a não deixarmos de compreender que o Brasil, apesar da má educação pública, tem força pra se superar e, na outra ponta, precisa ser levado de vez a sério pelos homens de terno. A estrutura educacional brasileira esta em frangalhos. A educação esta em coma e em estado gravíssimo. Vamo acordá!

Como diz a letra da música dos Engenheiros do Hawaii:

Ouça o que eu digo
Não ouça ninguém
...
O que nos devem
Queremos em dobro
Queremos agora!

quarta-feira, 20 de junho de 2007

SIM PODE NÃO

Deitado nos pufs do Cine Vila Rica (leia post 17 JUN, domingo) assisti o maravilhoso PROIBIDO PROIBIR de Jorge Duran. Um belo presente da 2ª CINEOP.

Com roteiro bem alinhavado por Jorge Duran e Dani Patarra, com colaboração de Gustavo Boher e Eduardo Duran, o filme tem bom ritmo e te prende já desde o início com imagens fortes numa ala de oncologia de um hospital, permeadas por alucinações de um jovem estudante de medicina.

Três jovens universitários vivem um triângulo amoroso no Rio Janeiro. Paulo (Caio Blat), estudante de medicina, adora balinhas alucinógenas e as toma enquanto atende seus pacientes, Leon (Alexandre Rodrigues), estudante de sociologia, divide moradia com Paulo, seu melhor amigo, e namora Letícia (Maria Flor) que estuda arquitetura. Tudo corre bem entre eles, já que o triângulo amoroso ainda não se consumou. Uma questão de vida ou morte envolvendo uma paciente de Paulo muda os destinos de suas vidas pra sempre.

Trio de extremo talento e presença em cena. Viva a dramaturgia brasileira!

Com a direção de fotografia nas mãos de Luiz Abramo, o filme ficou afinado. Esse rapaz fotografa com simplicidade e força expressiva. Fez-me lembrar o Toca Seabra (Cão Sem Dono e O Invasor), fotógrafo predileto de Beto Brant. Numa das cenas do filme aparece em segundo plano o cartaz de O INVASOR. Uma clara homenagem dos diretores.

Uma co-produção Brasil-Chile através do programa Ibermedia.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

LENTO MA NO TROPO

Ontem foi dia de cortejo pelas calçadas. Os grupos Trampolin, Programa Valores de Minas, Grupo Folclórico Zé Pereira de Mariana e Pernas de Pau usaram as centenárias calçadas de Pedra Sabão das ruas de Ouro Preto como palco para um cortejo que fez a festa da moçada. Dançando eufóricos com as batidas de Maracatu, samba e axé, os participantes não largaram do lugar enquanto havia batuque.

Mas o melhor do dia, ou melhor, da noite veio sob o nome de Santiago.

Magnífico documentário de João Moreira Sales com fotografia primorosa de Walter Carvalho. Reconheço ter dado alguns cochilos no início da projeção. Contudo, lentamente o filme vai te pegando. A medida que ouvimos aquele argentino de sotaque forte e elegância refinada falando a respeito de sua admiração incontida pelos grandes mestres da pintura, música erudita, dança e sua obcessão pelas grandes dinastias do mundo antigo, agente se rende. Com o desenrolar da película, filmada em preto e branco, nossa apatia vai se transformando em curiosidade e mais outro tempo se passa e nos sentimos filhos ou parentes muito próximos desse ancião tão curioso e sensível.

A leveza dos seus gestos com as mãos. O rigor da sua fala firme e ponderada. A expressão oblíqua de seus olhos. E principalmente a sua abnegação a pura arte em todo o seu fervor. Me rendi lentamente, mas nem tanto. Filme que ao final deixa aquele frio no estômago junto com uma angustia quase incontida que só não me levou a emoção lacrimada por que a vergonha a conteve. Emoção que vi em alguns olhares de espectadores saindo e ouvi de alguns amigos nos comentários pós projeção. Se existe um filme imprescindível para o ávido admirador do cinemão, sem dúvida Santiago e um deles. Emocionante e divinamente poético.

domingo, 17 de junho de 2007

Cão sem dono


Assisti ontem esse danado de filme bom. Até o cão que num tem dono, mas tem um amigo, faz bonito no filme. Grandes talentos jovens, no caso de Tainá Müller (Marcela), Júlio Andrade (Ciro). Filme dirigido a quatro mãos por Beto Brant (O Invasor) e o simpático Renato Ciasca, com quem troquei algumas palavras. Comentei de sua ponta como atacante no filme e ele me disse:

- Fiz um golaço!



Esse filme comprova mais uma vez o talento de um dos melhores diretores da nova safra, Beto Brant e nos revela outros tantos que certamente ainda tem muito pra nos dar. As personagens do porteiro e do motoboy são impagáveis. É de rolar de rir.

A vida é bela. E muito melhor com tanta arte pelo ar.

. Hoje tem Baixio da Bestas do premiado diretor Claudio Assis (Amarelo Manga), com Matheus Nachtergaele e Caio Blat no elenco. A promessa é virilidade.
Abraaaçooss e até amanhã com mais da 2ª Mostra de cinema de Ouro Preto

Se a lua hoje sair Terei que chorar

Verso de um poeta que encontrei no barroco, bar da rua direita de Ouro Preto. Ele me disse seu nome, mas eu esqueci. Me perdoem a indelicadeza.

Essa é a banda de música Sociedade Musical Senhor do Bom Jesus que deu um show em frente ao cinema Vila Rica e tocou o Hino Nacional lá dentro. Um prazer.

Olha aiii! É o cine Vila Rica! Todo cinema divia ser igual a ele. Que beleza e que prazer assistir a um filme nessa sala. Confortável, elegante.
Um pouco antes do filme de abertura da mostra, Rio 40 Graus, rolou um lindo show com Maurício Tizumba (Grande Otelo), Regina Souza (Angela Maria), Raquel Coutinho e Beth Leivas, entrou todo mundo na roda. Rodolfo Nani, diretor de o Saci, deu um show a parte com sua animação e simpatia. Dez.

Após o filme alguns encontros com poetas e artistas pelos bares da velha Ouro Preto.

sábado, 16 de junho de 2007

Que que vai passar? Ah é um filme brasileiro

Ontem foi bom. Essa frase ouvi do curador da mostra, amanhã falo o nome dele, esqueci agora. Disse ele que estava na fila pra o filme Rio 40 graus de Nelson Pereira dos Santos e ouviu de um ocupante da fila essa maravilha de frase:



A menina perguntou pro colega ao lado:

- Que que vai passar?

- Ah é um filme brasileiro

respondeu o rapaz



Claro o curador ficou furioso. Eu achei o máximo. dahora. nada contra. caso não saibam os filmes brasileiros não são tão amados como gostariamos. Mudando de assunto. O filme é realmente um clássico. Conversando com um novo amigo que fiz aqui na mostra chamado Otávio, chegamos a mesma conclusão:

O filme da um pouco de sono. O ritmo é da época. É o primeiro filme de ficção do mestre e realmente não é um primor no ritmo. Contudo o tema e a forma como abordou nosso excelente Nelson, realmente é coisa de mestre. Cuca fresca e ativada. Admirável o cidadão. Quem dera poder chegar nos pés do nosso Romário do cinema. Sem é claro a arrogancia do baixinho. Nelson faz jus a fama de maior diretor do cinema brasileiro. Indispensável.



Depois da grande abertura aconteceram várias. Vou só deixar uma foto pra instigar vossos desejos por novas estórias. Ou novas boas e ruins experiêcias.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

HOJE TEM TELONA

Hoje tive a minha primeira aula na oficina de Produção Cinematográfica ministrada por Sérgio Kieling, Produtor Executivo da Olhar Imaginário de Toni Venturi que dirigiu o premiado Cabra Cega. Aula inicial com as devidas apresentações. Uma curiosidade apontada pelo ministrante é que a oficina de Produção esta mais recheada de avidos alunos que a de Direção. Normalmete acontecia o contrário, disse ele. Mais bacana da oficina hoje foi a avant premier do documentário sobre a poderosa rainha das chacretes Rita Cadilac. Tivemos a oportunidade de ver e ouvir a primeira parte do documentário que será exibido nos cinemas em breve. Existe também uma versão que será exibida no SBT, menos apimentada do que a que assistimos. Essa sim com cenas e depoimentos fortes da guerreira Cadilac. Muito emocionante, corajoso. Fiel a vida dessa bela e eterna vedete da telinha. E graças a Olhar Imaginário agora eternizada na grande tela.

Hoje ainda tem cinemão com a exibição de Rio 40 graus amanhã conto tudo.

abraços e até.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Ouro Preto no Outono tem Cinema


2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto

Começa neste fimde [14 a 19 de julho 2007] a 2ª Mostra de Cinema de Ouro Preto e vai abordar a produção cinematográfica dos anos 50.


Tendo como missão e foco principal a "Preservação, Restauração e Memória do Cinema Brasileiro", a mostra vai percorrer a década de 50 passando pelo meio documentário, meio ficção "Rio 40 Graus (1955)", obra que inspirou o Cinema Novo e a obra prima "Rio Zona Norte (1957)", com Grande Otelo no elenco e músicas de Zé Ketti, ambos de Nelson Pereira dos Santos, homenageado da mostra. O Diretor já produziu 46 filmes, entre longas e curtas metragens. Dirigiu “Vidas Secas (1963)” e “Memórias do Cárcere (1984)”, premiados em Cannes.

Outra pérola da Mostra é o musical “Tudo Azul (1952)” de Moacyr Fenelon. Conta a estória de um compositor frustrado que trabalha em uma seguradora. Casado, quatro filhos e sendo ameaçado de demissão tenta o suicídio.


Filme restaurado pelo Centro de Pesquisas do Cinema Brasileiro, com patrocínio da BR Distribuidora, que tem a participação especial da Escola de Samba Império Serrano do Rio de Janeiro. Estão no elenco as rainhas do rádio Marlene, Emilinha Borba e Linda Batista, três ícones do cinema e do rádio brasileiros e ainda Luís Delfino, Milton Carneiro, Blecaute, Quatro Azes e um Coringa. Quer mais!? Só assistindo.

Como disse nossa impagável Ministra do Turismo Mala Suplicy "Relaxa e goza porque você esquece todos os transtornos depois".

Divirtam-se que o melhor remédio.

site oficial da mostra

http://www.cineop.com.br/cineop/