sábado, 9 de junho de 2007

A Guardiã do Cisne Negro



A Guardiã do Cisne Negro


Há muito tempo, numa era em que os lagos azuis enchiam de encanto e magia o vale da Pedra Menina, vivia uma mulher solitária chamada Ibyara. Naquelas bandas ela era conhecida como a Dona do Cisne porque em seu sítio criava cisnes. Cisnes brancos, pardos e um belo cisne negro habitavam os lagos daquele pequeno e bem cuidado sítio chamado Amanaiara. Este sítio estava assentado as margens da Pedra Menina sobre a qual corria uma lenda da origem de seu nome:

O índio Tamandaré e seus familiares sobrevivendo a uma grande enchente provinda de um dilúvio e com a responsabilidade de povoar a terra, já prevendo grandes inundações que cobririam suas terras, abandonam o litoral e vão abrigar-se nas montanhas, donde se pode ver os largos horizontes, e observar o nascer do sol. Tamandaré teve vários filhos e filhas, entre as meninas uma pequena morena, de cabelos negros como o carvão, de rosto redondo, dentes brancos como o giz e um sorriso mágico que a todos encantava. A tribo que ali vivia em harmonia, respeitava seus antepassados e a força da natureza e consideravam sagrados os elementos Ig (Água), Ibi (Terra), Tátá (Fogo) Ybyty (Vento). Havia Rudá, o deus do amor, que tinha a seu serviço uma serpente que reconhecia as moças virgens, recebendo delas os presentes que lhe levavam e devorando as que haviam perdido a virgindade. Numa manhã fria, lá no alto da montanha surge num estalo um objeto circular e brilhante, emanando cores vibrantes, emitindo silvos que a nenhum pássaro se assemelhava, deixando a tribo em êxtase.Lentamente esse objeto desce aplainando pelas encostas da montanha e pousa num alagado. Ouve-se um apito agudo e estridente que faz zumbir os ouvidos da tribo.
È uma esfera cinza com saliências brilhantes como bronze polido que se parece com escamas. Durante alguns segundos os índios observam espantados para aquilo. Um estalo. Deu-lhes mais um susto.

Da parte superior daquela pequena esfera abre-se um anel de escamas, como uma flor desabrochando. Ouve-se alguns ruídos e surge por entre as escamas quatro pequenos seres verdes como safira, cada um lembrava uma forma humana. Cada um tinha quatro rostos que estavam voltados para as quatro direções. Tinham aparência de leão, touro e águia, ao mesmo tempo. Rodavam para os quatro lados sem precisar virar. No meio dos seres havia uma coisa parecida com brasas acesas, queimando como tocha, esse fogo se movia entre os quatro seres. Descendo figuras vultosas que a todos impressionava e procuraram logo manter contato com os principais da localidade, sendo bem acolhidos. Os visitantes ficaram impressionados com a beleza das mulheres, principalmente a menina de cabelos longos e negros, um deles procura seduzi-la. Não aceitando o assédio do visitante e temendo a serpente de Rudá que a devoraria, levando consigo sua pureza, a menina foge para a mata e é perseguida pelos visitantes enlouquecidos de desejo. Já sem forças recorre a Rudá pedindo, que para sua proteção fosse transformada em pedra assim os visitantes não a molestaria e poderia viver eternamente com sua pureza.
Rudá, em sua grandeza, entende o pedido da pobre menina e a transforma em pedra. A pedra mais alta do vale que doravante seria chamada de "Pedra Menina". Os visitantes que a perseguiram, por sua infidelidade e luxúria, foram abandonados por seus companheiros em terra e se perderam nas matas. Como castigo Rudá os transformou em Árvores Andantes, vagando pelas matas assombrando os caçadores.

Sob a montanha corria outra lenda, esta mais recente, e que envolvia Ibyara. Diziam os mais velhos que Ibyara tinha uma filha. Uma pequena garota de seis anos de idade que encantava a todos por sua doçura, meiguice e amendoados olhos negros. Ibyara criava a pequena sozinha, pois não se sabia que a mulher tivesse marido ou que a menina tivesse pai.

Contam que um dia a pequena amanheceu adoentada e que nada nem ninguém sabia da causa da súbita doença. A mãe desesperada pelejava atrás da cura. E por ali passaram médicos, curandeiros locais, benzedeiras sem conseguir remediar a pobre enferma. Os dias se sucediam e a menina esvaia-se em febre e calafrios. Tudo se tentou e a todos a inconformada mãe recorreu, mas os deuses aguardavam um destino cruel àquela mãe desesperada.

Num fim de tarde uma velha senhora surgiu á porta de Ibyara com uma pedra nas mãos, assustando a todos que acompanhavam o martírio da pequena. Ela entrou pela sala devagar e se dirigiu ao quarto onde a menina agoniava. Ao lado da cama havia senhoras que rezavam em prol do restabelecimento da saúde da menina. A mãe postada de joelhos acariciava a fronte soada da pequena. A senhora se aproximou devagar e tocando de leve as costas de Ibyara chamou a sua atenção. Ibyara virou-se desanimada e percebeu a Velha Senhora ao seu lado.

Sem dizer palavra a Velha estende a pedra à mãe que instintivamente recebe-a as mãos. A velha sopra levemente a pedra, se aproxima do ouvido de Ibyara e sussurra alguma coisa. Por alguns minutos a cena se estende ao olhar surpreso de todos naquele quarto. Terminado o sussurro Ibyara levanta-se e delicadamente pede que todos as deixem sozinhas, ela, a Velha e a filha. Todos saem hesitando um pouco. Ibyara fecha a porta atrás do último a deixar o quarto.

Após alguns minutos são ouvidos grunhidos saindo lá do quarto. Sons assemelhados a grunhidos de ganso ou pato. Todos ficam estupefatos com aqueles sons. Em seguida lá fora o vento começa a soprar forte tocando poeira pra todo lado. O céu se escurece em nuvens negras, e raios estalam por todo o vale. Despenca um temporal intenso e mais raios faíscam pelo céu.

Após alguns minutos tudo se acalma. Uma leve brisa agora sopra e o céu vai se abrindo em tons de lilás do pôr do sol que se aproxima. De repente, saindo por detrás das montanhas surge uma ave negra em vôo rápido e suave. Ao aproximar-se observam os presentes que é um cisne negro de grande porte. Ele rodeia pelo vale e pousa suavemente no lago azul central daquele sítio. As pessoas acompanham tudo em estado catatônico.

Algum tempo passa e a porta do quarto da menina se abre. Ibyara caminha para fora da casa com a pequena menina morta em seus braços. As pessoas a rodeiam entristecidas.

A partir do ocorrido ninguém mais viu aquela misteriosa Senhora. Ninguém a viu sair do quarto ou da propriedade. E Ibyara, mesmo indagada, jamais disse o que ocorreu naquele dia dentro do quarto. O que se passou depois é que a mãe, aos poucos, foi se isolando de todos e aquele cisne passou a viver naquela propriedade sob os cuidados e dedicação diárias daquela, então jovem mulher. E que todo pôr do sol podia se ver os dois. O cisne nadando calmamente e a mulher observando-o as margens do lago.

O que ocorreu naquele dia, ninguém sabe. De onde veio aquele cisne negro, ninguém disse.

continua...

2 comentários:

Silvania disse...

Kennedy,vc é um ser admiravel...
Bjnhos

kennedy rafael disse...

brigado sil. admirável eh tudo de bom. deixa minha mãe ouvir isso.